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Aquela Que Vem do Véu do Tempo

  • Foto do escritor: Daniel Macedo
    Daniel Macedo
  • 9 de dez. de 2025
  • 1 min de leitura

Caminho sem rumo, mas sigo seguro,

pois há no futuro um eco teu,

um sopro tão leve que quase não é meu

e ainda assim me guia como farol no escuro.


Não existes ainda, mas tens forma secreta,

promessa guardada no véu do destino,

um sopro que toca o que é meu e divino

antes mesmo que o tempo te torne completa.


Imagino teus dedos, tão certos e tão gentis,

não para moldar-me ou tomar minha essência,

mas para acordar o que dorme na consciência

e abrir os caminhos que nunca percebi.


Teu toque, que o tempo insiste em tardar,

já repousa em meu peito qual chama contida,

saudade nascida sem ter sido vivida

e que, mesmo ausente, me faz esperar.


Tua sombra futura não busca efeito ou aplauso,

ela age em silêncio e transforma o que toco;

és o eixo que encontro ao perder o meu foco,

és início que chega antes mesmo do caso.


E se hoje és só ausência, silêncio não revelado,

és, contudo, mais real que presenças inteiras.

Pois és o que move minhas horas primeiras,

mesmo sendo um destino ainda não encarnado.


E tu, que ainda não és,

és tudo o que serei com alguém.

És o fim que me chama e me guia também,

resposta guardada no que ainda não vês.


Autor: Daniel Macedo

 
 
 

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