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Flores no calçamento

  • Guilherme Dantas
  • 9 de dez. de 2025
  • 1 min de leitura



Os mendigos pedem tão pouco.


Como são capazes de nos pedir?


Nunca ando com trocados;


o inverno chegou, meus dedos estão congelados.




Nunca ouvi de flores no calçamento;


deve ser imaginação de pedestre.


Essas coisas de cidade grande:


lixeiras de sonhos e outras também.




Meu céu é cinza,


minhas estrelas se foram.


O que vim fazer nessa praça?


Eu e este trovador solitário.




Anjinhos vendem bala no semáforo;


o verde vai, o vermelho fica.


Nada se altera nesse sistema —


está escrito nas leis de metal.




Li todos os livros do homem.


São tão grandes e tantos


que dariam para construir um palácio;


não ouvi falar de nenhum Deus.




Digo: aquele dos céus e das estrelas,


o Deus dos livros e o da ciência —


ele é terreno.


Autor: Guilherme Dantas

 
 
 

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